Procura-se efetuar a conclusão da presente resenha com um caso ilustrativo do espaço socioambiental da economia de Blumenau – Santa Catarina. O exemplo escolhido foi a extração de areia no rio Itajaí-açú, pois é comprovada a degradação ambiental que a atividade traz para o ecossistema da bacia do rio Itajaí-açu.
O problema não é novo, das inúmeras vezes que o tema “extração de areia no rio Itajaí-Açu” já foi abordado, pode-se citar a audiência pública na Câmara Municipal em setembro de 2003, que voltou a ocorrer numa quarta-feira, 06 de julho de 2005, na mesma Câmara Municipal de Blumenau. Nesta última sessão, o autor do requerimento, vereador Ângelo Roncáglio (PPS), chegou a sugerir a cassação do alvará de uma das empresas cujo proprietário se fazia presente. Denúncias de desrespeito à lei também pontuaram a sessão. Neste encontro ficou decidido que seria formada uma comissão de trabalho para discutir o assunto e chegar a um consenso sobre “uma melhor solução”.
Olhando-se para o aspecto de espaço socioambiental, verifica-se que a bacia do rio Itajaí-açu como um todo sofre diversos ataques. Poluição de rejeitos químicos das indústrias, rejeitos sólidos e líquidos do esgotamento sem tratamento do vale do Itajaí, e como se não bastasse o assoreamento dos leitos dos rios por empresas que são autorizadas legalmente a exercer a atividade de extração de areia.
Fica evidente que há sim a troca econômico-ecológica desigual, pois os custos ecológicos não se manifestam em nenhum dos preços dos produtos: areia, esgoto ou água tratada; gerando dessa forma uma desvantagem ecológica para os municípios que dependem do rio. Os únicos que “ganham” com esse tipo de atividade são os proprietários das empresas extratoras.
O assunto é preocupante, a sociedade deve entender claramente a diferença entre preço do produto e custo ambiental para que se possa fazer pressão contra essas empresas extratoras, e, em se havendo proibição temporária de extração, tenha a consciência de pagar um preço maior por uma areia que venha de outra região. O grande problema novamente é que a areia é a base para a construção civil, neste caso o aspecto financeiro sobrepõe os interesses da natureza.
Conclui-se dessa forma, que há poucas ações visando à sustentabilidade da bacia hidrográfica do rio Itajaí-açu, ou seja, não há preocupação dos governantes e pouca ou quase nenhuma pressão é efetuada pela sociedade visando minimizar a atividade predatória das empresas extratoras de areia.
MONTIBELLER F, G . Espaço Socioambiental e Troca Desigual. InterTHESIS –Revista Internacional Interdisciplinar Intertheses, PPGICHUFSC (disponível em
http://www.interthesis.cfh.ufsc.br/interthesis2/index_port.html), 2004.